📑 Sumário deste guia
- 1) O que é "sem entrada" no financiamento de carro usado
- 2) Quando vale a pena aceitar entrada zero
- 3) Bancos e financeiras que costumam aprovar 100% do valor
- 4) Comparativo de modalidades para entrada zero
- 5) Passo a passo para conseguir entrada zero
- 6) Cuidados para não cair em golpe
- 7) Tire suas duvidas
Atualizado em julho de 2026. Sim, é possível encontrar financiamento de carro usado sem entrada em 2026, mas só em situações específicas: bancos digitais, promoções de concessionárias com subsídio da montadora, ou troca de usado como parte da entrada. Na maior parte dos casos, a “entrada zero” esconde embutida no Custo Efetivo Total (CET), em juros mais altos ou em parcelas alongadas. Este guia mostra quando a entrada zero vale, quando sai cara e como comparar bancos oficiais antes de assinar o contrato.
1) O que é “sem entrada” no financiamento de carro usado
Entrada é o valor pago à vista no ato da assinatura, que reduz o saldo financiado e os juros totais. Quando um banco ou concessionária oferece “sem entrada”, significa que o valor total do veículo será financiado em parcelas. O financiamento sem entrada costuma aparecer em três formatos:
- Financiamento direto no banco: a financeira financia 100% do valor do carro usado. Bancos tradicionais costumam limitar a 70% ou 80% do valor de avaliação. Os 100% aparecem em ações pontuais ou em usados com valor de FIPE abaixo do pedido.
- Loja ou concessionária parceira: a montadora ou rede oferece subsídio que cobre a entrada como desconto, mas o juro do financiamento costuma ser maior que o banco.
- Troca do usado como entrada: o seu carro atual é avaliado pela loja e o valor abatido entra como “entrada não monetária”. Essa é, na prática, a forma mais segura de zerar a entrada sem inflar juros.
Antes de aceitar, peça o CET (Custo Efetivo Total) por escrito. O CET inclui juros, taxa de cadastro, seguro, tarifa de avaliação e tudo o que você paga além das parcelas. Sem o CET, não dá pra comparar.
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2) Quando vale a pena aceitar entrada zero

A entrada zero só compensa quando o custo total permanece dentro do orçamento. Use três critérios antes de assinar:
- Parcela cabe no orçamento: a parcela mensal não pode passar de 25% a 30% da renda líquida. Sem entrada, a parcela sobe, então esse limite aperta mais.
- CET mais baixo que juntar e pagar à vista: compare o CET da proposta sem entrada com a rentabilidade de um CDB de liquidez diária ou do CDI. Se o juro do financiamento for menor, vale. Se for maior, junte o dinheiro.
- Carro com boa liquidez: usados populares (Onix, HB20, Corolla, Compass, Hilux) têm desvalorização previsível. Se precisar vender o carro antes de quitar, a perda tende a ser menor.
Quando um desses critérios falha, entrar com pelo menos 20% a 30% do valor reduz parcela e juros totais de forma visível.
3) Bancos e financeiras que costumam aprovar 100% do valor
Nenhum banco público brasileiro financia 100% de veículo usado de forma padronizada. Os caminhos mais frequentes em 2026 são:
- Bancos digitais: alguns permitem financiar valores acima da avaliação da Tabela FIPE, com juros um pouco acima da média. As condições mudam a cada campanha e a aprovação depende de análise de crédito.
- Financeiras de montadora: BV Financeira, Banco Volkswagen, Bradesco Financiamentos, Itaú Chevrolet, Santander Financiamentos. Costumam ter cota de subsídio da montadora em ações de “entrada zero”, principalmente em modelos da própria marca.
- Cooperativas de crédito: Sicoob, Sicredi e Unicred, via cooperativa de vínculo, costumam ter condições melhores em cidades pequenas e para associados.
Atenção YMYL: nenhum banco garante aprovação sem entrada para 100% dos pedidos. O que existe é análise de crédito individual, então considere sempre a possibilidade de recusa ou de juro maior do que o anunciado. As condições oficiais mudam toda semana e precisam ser confirmadas no site do banco.
4) Comparativo de modalidades para entrada zero
| Modalidade | Quando o banco financia 100% | Custo aproximado (CET a partir de) | Principal risco |
|---|---|---|---|
| Banco digital (BV, Inter, Itaú) | Análise de crédito favorável + usado com valor FIPE acima do pedido | 1,9% a 2,5% ao mês (estimativa, confirme no simulador) | Juros embutidos maiores para compensar o risco |
| Financeira de montadora (BV Financeira, Bradesco Financ.) | Campanhas de cota com subsídio da montadora | 0,99% a 1,9% ao mês em ação promocional (sujeito a alteração) | Vinculação ao seguro e ao carro da marca |
| Cooperativa de crédito (Sicoob, Sicredi) | Associado em dia + renda comprovada | 1,5% a 2,2% ao mês (estimativa) | Demanda presencial e análise mais conservadora |
| Loja concessionária com subsídio | Promoção de queima de estoque ou modelo 2025/2026 | 0,8% a 1,8% ao mês em campanha (valor indicativo) | Entrada “zerada” só no papel: juros e serviços embutidos sobem |
Os números da tabela são estimativas e variam conforme o perfil, o veículo e a campanha vigente. Confirme cada taxa no simulador oficial antes de fechar negócio.
5) Passo a passo para conseguir entrada zero
- Consulte seu score: Serasa, Boa Vista e SPC mostram a nota. Score acima de 700 pontos costuma destravar entrada zero ou juro mais baixo.
- Simule em pelo menos três bancos: use os simuladores do BV, Itaú, Bradesco e Santander. Os bancos não compartilham a análise entre si, então cotar três vezes aumenta a chance de uma boa proposta.
- Negocie a troca do usado: se você tem um carro, leve para avaliação em 3 lojas diferentes. A diferença entre uma e outra pode chegar a 10% do valor e funcionar como entrada real.
- Peça o CET por escrito: compare o CET, não só a parcela. Uma parcela baixa com CET alto esconde seguro caro e tarifa de cadastro.
- Confirme o seguro do financiamento: todo financiamento exige seguro total (casco + roubo + colisão). O custo do seguro entra no CET e pode variar até 40% entre seguradoras.
- Assine o contrato e registre a alienação: o banco registra o Gravame no Detran do seu estado. Sem essa etapa o carro continua sendo seu no documento, e isso pode gerar problema na venda futura.
Antes de assinar, compare as propostas usando o guia de financiamento de veículo usado do ecarts. Para o valor de referência do carro, use a Tabela FIPE 2026.
6) Cuidados para não cair em golpe
- Desconfie de entrada zero anunciada em anúncio de WhatsApp ou marketplace: propostas reais saem do simulador do banco ou da financeira, com CNPJ, contrato e Gravame no Detran.
- Não pague antecipadamente para “garantir aprovação”: golpe clássico de falsa intermediária. Banco não cobra para liberar limite.
- Confira se o banco é autorizado pelo Banco Central: pesquise o CNPJ da financeira no site do Banco Central. Instituição não autorizada não pode fazer financiamento.
- Leia a cláusula de quitação antecipada: todo financiamento permite quitar antes com desconto proporcional de juros. Se o contrato proibir, fuja.
- Desconfie de parcela muito menor que a simulação oficial: diferença grande costuma ser veículo adulterado, avaliação inflada ou seguro que não cobre nada.
7) Tire suas duvidas
Financiamento de carro usado sem entrada realmente existe?
Existe em casos pontuais: bancos digitais com análise de crédito favorável, campanhas de montadora com subsídio ou quando o valor da Tabela FIPE do usado está acima do valor de pedido. Não é regra e a aprovação depende do seu score, renda e do veículo. Sempre passe pelo simulador oficial do banco antes de acreditar em anúncio.
Qual o juro médio de financiamento de veículo usado em 2026?
As taxas variam de aproximadamente 1,5% a 2,5% ao mês para clientes com bom score, podendo chegar a 4% ao mês em perfis de maior risco. Os valores oficiais mudam por banco, perfil e prazo, então use o simulador de financiamento de carro e confirme a taxa diretamente na financeira escolhida.
Posso dar meu carro usado como entrada em outro financiado?
Sim. A maioria das concessionárias e bancos aceita o usado na troca. O valor da avaliação é abatido do preço do novo financiamento e funciona como entrada, mesmo sem dinheiro no ato. Negocie a avaliação em pelo menos três lojas para evitar deságio agressivo.
Qual score é preciso para financiar sem entrada?
Score acima de 700 pontos na Serasa ou Boa Vista costuma destravar as melhores condições e maior chance de entrada zero. Entre 500 e 700 é possível, mas o juro fica mais alto e o banco pode recusar o financiamento 100%. Abaixo de 500 a aprovação cai muito e raramente sai sem entrada.
Financiamento de usado pela internet é seguro?
Sim, desde que feito no simulador oficial do banco ou no site da financeira. Após a aprovação, o contrato precisa ser assinado presencialmente ou com assinatura digital reconhecida (e-CPF A3 ou Gov.br). Nunca pague boleto para “liberar” o crédito antes da assinatura do contrato.
Quantas parcelas posso fazer no financiamento de usado?
Os bancos costumam financiar de 12 a 48 meses, podendo chegar a 60 meses em campanhas pontuais. Parcela mais longa reduz o valor mensal, mas aumenta o juro total. O ideal é usar o prazo que cabe no orçamento e fazer amortizações antecipadas quando possível.
Tem como financiar 100% de usado com nome sujo?
É raro. Bancos tradicionais não aprovam nome negativado para financiamento. Algumas financeiras de montadora analisam com restrição, mas cobram juro mais alto e dificilmente liberam entrada zero. A saída nesse caso é quitar as pendências pequenas antes da análise e usar troca de usado como entrada.
É melhor entrada zero ou 30% de entrada?
Em quase todos os cenários, 30% de entrada reduz mais o juro total do que parcelar a mesma quantia. A entrada zero só vence quando o juro do financiamento for menor que a rentabilidade que você consegue com o dinheiro aplicado. Em 2026, com CDI em torno de 14% ao ano, a regra geral é: entre com o máximo que puder.
Posso usar o FGTS como entrada no financiamento de usado?
Não. O FGTS só pode ser usado como entrada, amortização ou parcela do financiamento imobiliário habitacional. Para veículo, o uso do FGTS não é permitido. O que dá para usar é o saldo do saque-aniversário em antecipação, mas isso é empréstimo com garantia, não entrada.
O que é CET e por que ele importa?
CET significa Custo Efetivo Total. É o número que mostra quanto você paga de verdade, incluindo juros, seguro, tarifa de cadastro e tudo o que a financeira cobra. Dois contratos podem ter a mesma parcela mensal mas CET muito diferente. Sempre compare pelo CET, nunca só pela parcela.
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Atualizado em 12 de julho de 2026
Por Ricardo Souza — Economista e consultor financeiro com mais de 10 anos de mercado. Cobre educação financeira, cartões de crédito, empréstimos, score, declaração de IR, investimentos e regulamentação do Banco Central. Formado em Economia pela FGV-EAESP. Já passou por bancos de varejo e fintechs, hoje dedica-se a explicar finanças complexas de forma simples e prática para o leitor brasileiro.

Economista e consultor financeiro com mais de 10 anos de mercado. Cobre educação financeira, cartões de crédito, empréstimos, score, declaração de IR, investimentos e regulamentação do Banco Central. Formado em Economia pela FGV-EAESP. Já passou por bancos de varejo e fintechs, hoje dedica-se a explicar finanças complexas de forma simples e prática para o leitor brasileiro.
Atualizado em 12 de julho de 2026









